3 Fake News Que Voce Ja Deve Ter Ouvido Sobre O Scrum

Ilustração sobre Scrum

O Scrum se tornou absurdamente popular, e boa parte desta popularidade se deve a sua simplicidade. Mas, como o Scrum Guide dizia em suas primeiras linhas da versão 2017:

Scrum is simple to understand, but difficult to master

Ou seja, existe um universo de distância entre entender Scrum e realmente dominá-lo. E é aí que mora o perigo: Esta distância é o habitat perfeito para as vítimas do efeito Dunning Kruger.

Gráfico do efeito Dunning-Kruger

Imagem criada pelo www.investificar.com.br

Do Wikipédia: O efeito Dunning-Kruger é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos; é a sua incompetência que os restringe da habilidade de reconhecer os próprios erros.

Dito isto, vamos às três fake news!

1 — O problema do Scrum é que ele é muito simples

O Scrum é um framework, mas é comum escutar pessoas se referirem ao Scrum como uma metodologia. Pode parecer implicância minha, mas essa simples troca de palavras diz muito sobre o entendimento do Scrum.

Afinal, o que é um framework? Bem, de acordo com o dicionário de Cambridge:

a supporting structure around which something can be built

O Scrum é uma estrutura sobre a qual você deve construir sua maneira de trabalhar. É como o Ruby on Rails, o ExpressJS ou o Hibernate: eles não funcionam sozinhos, mas te ajudam a trabalhar de uma forma mais estruturada e produtiva.

Frameworks são incompletos por padrão e de propósito. São criados para que você possa pensar e expandi-los da maneira que fizer mais sentido no seu contexto de trabalho. E é daí que surgem as práticas ágeis como Story Points, User Story Mapping, Priorização por Risco x Valor, User Stories, etc.

Ilustração de práticas ágeis complementando o Scrum

Como o Scrum implementa o ciclo PDCA, é possível adotar uma determinada prática ágil, validar seus efeitos e decidir se vale ou não a pena continuar com aquela prática. E claro, é preciso experimentar novas ideias e repetir esta reflexão ao final de cada Sprint.

Resumindo:

O Scrum é simples e incompleto de propósito para fazer você pensar em maneiras de complementá-lo.

Se alguém lhe disser que o problema do Scrum é ser simples demais, esta pessoa ainda não entendeu nada sobre o framework.

2 — Management 3.0 e DevOps vieram para substituir o Scrum

Em Minas Gerais temos uma expressão muito utilizada quando alguém diz algo assim:

MÉQUÉ??? — Do mineirês: como é que é?

Esta afirmação não faz o menor sentido se você já compreendeu o conceito de um framework: Management 3.0 e DevOps chegam para complementar, e não para substituir.

Afinal, o Scrum Guide diz que:

Os Scrum Teams são estruturados e empoderados pela organização para gerenciar seu próprio trabalho.

Sim, o Scrum não fala sobre automatizar deploys, por exemplo. Não fala em feedback wraps, delegation boards ou motivadores intrínsecos.

Porque o Scrum é um… framework!

Acredito que esta representação visual utilizada pelo Alexandre Magno em seus treinamentos ilustra muito bem esta ideia.

Diagrama do framework Scrum com técnicas emergentes

Representação do framework Scrum completado por técnicas emergentes, criada por Alexandre Magno

3 — Não temos mais times Scrum. Temos Squads.

Essa é bem interessante, e eu adicionei aqui porque cada vez mais vejo organizações utilizando termos do famoso modelo Spotify. E muitas vezes a justificativa é a de que os times são multidisciplinares e não segmentado por áreas de conhecimento.

Mas, o que o Scrum Guide diz sobre seu Scrum Team?

  • Scrum Teams são multifuncionais, possuindo todas as habilidades necessárias, enquanto equipe, para criar o incremento do Produto.

  • Individualmente os integrantes do Scrum Team podem ter habilidades especializadas e área de especialização, mas a responsabilidade pertence ao Scrum Team como um todo.

O conceito de Squads nasceu de maneira colaborativa no Spotify e foi parcialmente documentado em 2012 neste pdf Henrik Kniberg e Anders Ivarsson. No documento, disponível neste link, eles dizem que:

A Squad is similar to a Scrum team, and is designed to feel like a mini-startup. They sit together, and they have all the skills and tools needed to design, develop, test, and release to production. They are a self-organizing team and decide their own way of working.

É sempre válido refletir sobre o modelo adotado pela organização:

  • Seu Scrum Team possui as características mencionadas no Scrum Guide?

  • Sua organização provê o ambiente necessário para a existência de Squads/Scrum Teams?

  • Qual problema está sendo atacado com a adoção de Squads?

  • O que diferencia seu Squad de um Scrum Team?

Os Squads fizeram sentido no contexto de escala do Spotify, e talvez até sejam compatíveis na sua organização. Mas é fundamental compreender quais problemas o Scrum e o “Modelo Spotify” tentam resolver antes de fazer um CTRL+C / CTRL+V.

No final das contas, a desinformação sempre existirá e eventualmente as pessoas podem propagá-la mesmo com a melhor das intenções. A única forma que conheço de evitar essas armadilhas é seguir o conselho do sábio filósofo ET Bilu:

Meme do ET Bilu dizendo busquem conhecimento

O ET Bilu leria o Scrum Guide antes de começar a usar Scrum

E aí, vamos separar um tempinho para reler as 16 páginas do Scrum Guide?


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3 Fake News Que Voce Ja Deve Ter Ouvido Sobre O Scrum
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